3 Resultados
Os resultados são apresentados por alvo em análises genéricas dos indicadores ou sob diferentes recortes, como por biomas, por exemplo, buscando-se evitar, sempre que possível, a apresentação dos resultados e análise por unidade de conservação, o que traria uma extensão à este relatório pouco produtiva. Para visualização dos resultados dos alvos por unidade de conservação, bem como para acesso a outras informações complementares relacionadas a este relatório, está sendo desenvolvida uma plataforma on-line interativa. A seção 3.4, por sua vez, se propõe a apresentar eventuais padrões de respostas congruentes entre os alvos e potenciais correlações.
3.1 Plantas
Alexandre Bonesso Sampaio1, Bruno Lenhaverde Sandy2, Jumara Marques Sousa2 & Rafaela Campostrini Forzza3-4
Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade do Cerrado e Restauração Ecológica - CBC*
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio
Parque Nacional de Brasília
Via Epia, BR-450, Km 8,5
70635-800 Brasília, DFCoordenação de Monitoramento da Biodiversidade - COMOB
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio
Complexo Administrativo EQSW 103/104 s/n
70670-350 Brasília, DFJardim Botânico do Rio de Janeiro – JBRJ
Rua Jardim Botânico, 1008
Jardim Botânico
22460-030 Rio de Janeiro, RJParque Nacional do Descobrimento
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade - ICMBio
Cumuruxatiba
45980-000 Prado, BA
3.1.1 Estado da implementação
Para o período de 2014 a 2022 foram registradas 45 UCs federias em operação, isto é, com amostragens de plantas arbóreas e arborescentes nas cruzes de malta. Sendo 36 na Amazônia, seis no Cerrado e três na Mata Atlântica. Destas, 44 enviaram dados a tempo de compor este relatório.
Das 45 UC federais com coleta de dados de plantas, 26 (58%) já estão consolidadas, isto é, possuem pelo menos três unidades amostrais (cruzes de malta) em operação. No total, o Programa já possui 104 UAs (cruzes da malta) de plantas em operação.
Oito UCs já fizeram as remedições de 5 anos: Esec Niquiá, Parna Serra da Mocidade, Parna do Jaú, Parna do Juruena, Rebio do Jaru, Parna Montanhas do Tumucumaque, Parna do Cabo Orange e Rebio do Uatumã, sendo que as duas últimas ainda não entregaram os dados à COMOB. Quatro UCs estão com as coletas atrasadas em 1 ano (Flona Jamari, Rebio do Tapirapé, Rebio do Gurupi e Resex Ouro Preto) e três estão com atrasos maiores, consideradas como “paradas ou interrompidas” (Esec da Terra do Meio, Parna Serra da Cutia e Parna da Serra da Bocaina). Quatro UCs entraram em operação em 2022 (Esec Pirapitinga, Esec Jari, Resex Verde para Sempre e a Flona Carajás).
3.1.2 Resultados
3.1.2.1 Estrutura
Nesse quinquênio, foram monitoradas ?? plantas, especificamente ?? árvores, ?? palmeiras, ?? cipós e ?? pteridófitas arborescentes; ?? indivíduos não receberam categorização em campo (Figura x).
As análises dos dados dos quinquênios compreendidos no período de 2014-2022 consistiram de avaliações descritivas sobre a estrutura das vegetações amostradas com ênfase na altura, circunferência, área basal e biomassa.
Entre as unidades de conservação monitoradas no período de 2014 a 2022, destacam-se duas UCs localizadas no Cerrado com o maior número de árvores amostradas por área em comparação às demais UCs, as quais são o PARNA de Brasília (ano 2018 - 3.185 ± 302,93 ind./ha e ano 2014 - 2537,5 ± 995,67 ind./ha) e a ESEC Serra Geral do Tocantins (ano 2015 - 1005 ± 135,28 ind./ha). Estas foram as únicas UCs amostradas a utilizarem como critério de inclusão o CAS ≥ 15 cm, sendo, portanto, um critério menos restritivo do que aquele utilizado na Amazônia e Mata Atlântica (CAP ≥ 31 cm). Na Amazônia, as maiores densidades médias foram registradas na ESEC Niquiá (1002,5 ± 159,87 - ano 2016) e no PARNA do Jaú (755 ± 79,37 ind./ ha – ano 2014). Na Mata Atlântica, destacam-se os PARNAs do Superagui (965 ± 561,45 ind./ha – ano 2018) e da Serra da Bocaina (866,7 ± 445,94 ind./ ha – ano 2014) com as maiores densidades (Anexo Plantas)
Com exceção da ESEC Niquiá e do PARNA do Jaú, as UCs amostradas na Amazônia apresentaram baixa densidade de indivíduos quando comparadas com as demais UCs amostradas; em contrapartida, as plantas da maior parte dessas UCs apresentaram as maiores circunferências registradas e ocupam uma maior área no espaço, como indicam os elevados valores de área basal – estimativa da área de superfície do solo ocupada por uma planta. No PARNA Montanhas do Tumucumaque foram registrados, em 2015, os maiores valores de circunferência e área basal média, respectivamente: 83,14 ± 93,88 cm e 63,65 ±131,49 m²/ha; assim como na ESEC da Terra do Meio, em 2016: 75,2 ± 87,79 cm; 54,07 ± 120,52 m²/ha. Os menores valores de circunferência e área basal para a Amazônia foram registrados nas RESEX do Cazumbá-Iracema, em 2014 (59,85 ± 36,75 cm e 11,13 ± 12,41 m²/ha) e Barreiro das Antas, em 2018 (54,12 ± 23,89 cm e 13,13 ± 8,59 m²/ha).
Entre as UCs monitoradas na Mata Atlântica, os maiores valores de circunferência e área basal média foram registrados no PARNA da Serra dos Órgãos em 2014 (68,48 ± 45,44 cm e 43,48 ± 38,80 m²/ha) e os menores, em 2016, no PARNA do Superagui (60,51 ± 36,93 cm e 19,37 ± 17,43 m²/ha). Para as UCs do bioma Cerrado, nas quais o CAP foi utilizado para a realização das análises, os valores de circunferência e área basal média tenderam a ser menores do que aqueles registrados na Mata Atlântica e Amazônia, como no PARNA da Serra da Bodoquena, em 2014 (59,71 ± 32,45 cm e 25,15± 16,02 m²/ha) e no PARNA da Serra do Cipó, em 2014 (57,57 ± 33,86 cm e 12,25 ± 10,77 m²/ha). Para as demais UCs do Cerrado utilizou-se o CAS nas análises, sendo os menores valores de circunferência e área basal média registrados no PARNA de Brasília, em 2014 (25,4 ± 11,68 cm e 18,56 ± 8,12 m²/ha).
O valor de cobertura, dado pelo quociente da área basal média pelo número total de indivíduos, também corrobora a relação inversa existente entre densidade e circunferência. Assim como a área basal, a Amazônia concentra elevados valores de cobertura, seguida pela Mata Atlântica e Cerrado. Os maiores valores de cobertura foram encontrados no PARNA Montanhas do Tumucumaque em 2015 (0,125) e 2017 (0,114) e os menores, no PARNA de Brasília em 2014 e 2018 (0,006) (Anexo Plantas).
Os indivíduos amostrados no período entre 2014 e 2022 foram organizados em histogramas conforme a frequência nas classes de circunferência. Pela análise gráfica é possível observar que a maioria das UCs apresentam uma distribuição esperada para vegetações bem preservadas. Isto é, os dados das UCs se ajustam a uma curva exponencial, apresentando uma distribuição em formato de “J” invertido (ver plataforma online).
Em relação à altura, as plantas mais altas foram registradas nas UCs da Amazônia, entre elas se destaca o PARNA Montanhas do Tumucumaque, com o registro em 2017 do maior indivíduo amostrado: 64 m (Figura x). Na Mata Atlântica, a maior altura registrada foi 30 m (PARNA da Serra dos Órgãos) e no Cerrado, 55 m, no PARNA da Serra da Bodoquena (Figura x). Os dados de altura das plantas correspondem a estimativas e devem ser analisados com cautela. Esse foi um dos motivos que nos levou a excluir alguns dados de altura de alguns indivíduos em UCs do Cerrado nessa análise, pois algumas plantas cuja espécie era conhecida apresentaram valores muito acima do esperado e possivelmente são erros de amostragem.
3.1.2.2 Biomassa
Como o protocolo básico de plantas não prevê a identificação dos indivíduos amostrados, foram escolhidas, com auxílio de especialistas, equações gerais para estimar a biomassa das “árvores em pé” dos três biomas amostrados. A estimativa de biomassa de plantas com equações gerais é menos precisa do que aquela realizada com equações específicas para espécie; no entanto, representa um bom indicativo do papel desses organismos no ciclo do carbono.
Para o bioma Amazônia foram utilizadas duas equações, conforme [1], para estimar a biomassa fresca, dada em quilograma (kg):
Biomassa = exp (-1,754 + 2,665 Ln(DAP)) para plantas com 5 ≤ DAP <20 cm; e,
Biomassa = exp (-0,151 + 2,170 Ln(DAP)) para plantas com DAP ≥ 20 cm; onde, DAP = diâmetro à altura do peito (cm).
A equação utilizada para estimar a biomassa (kg) na Mata Atlântica foi adaptada de [2]:
- Biomassa = exp (-10,6409194002 + 2,1533324963 Ln(DAP) + 0,8248143766 Ln(H)) 1000; onde, H = altura (m).
Foi utilizada a equação de [3] para áreas de cerrado sensu stricto:
- Biomassa = -0,49129 + 0,02912(DAP²)H
Os valores obtidos pelas fórmulas citadas foram convertidos para toneladas (t), por conveniência, para melhor visualização e comparação dos dados. Entre as UCs monitoradas, aquelas localizadas no bioma Amazônia apresentaram os maiores valores de biomassa, os quais variaram de 611,82 t (PARNA Montanhas do Tumucumaque – ano 2015) a 74,74 t (PARNA Mapinguari – ano 2018) (Anexo Plantas). Os menores valores de biomassa foram encontrados nas UCs de Cerrado, a exemplo da EA-2 da ESEC Serra Geral do Tocantins, em 2015, que teve a menor estimativa de biomassa de todas as UCs monitoradas: 4,22 t. A estimativa da biomassa para a Mata Atlântica apresentou valores intermediários entre aqueles calculados para Amazônia e Cerrado, variando de 50,53 (PARNA da Serra dos Órgãos – ano 2014) a 16,24 t (PARNA do Superagui – ano 2018).
O PARNA da Serra da Bodoquena é a única unidade de conservação monitorada no bioma Cerrado em que as unidades amostrais (cruzes de malta) estão implantadas em uma floresta estacional. As cruzes das demais UCs estão em uma vegetação do tipo cerrado sensu stricto. Por conta disso, os indivíduos do PARNA da Serra da Bodoquena apresentam uma maior amplitude de altura (de 1,1 a 55 m) (Figura x) e circunferência (31 a 263 cm) em comparação às demais UCs monitoradas no Cerrado.
O PARNA da Serra do Cipó é um caso especial. Embora a vegetação da unidade amostral localizada no PARNA seja categorizada como cerrado sensu stricto, essa área sofre influência de uma mata de galeria localizada nas proximidades, o que reflete nos elevados valores de cobertura, os maiores registrados para as UCs monitoradas no Cerrado no período entre 2014 e 2018. O PARNA da Serra do Cipó apresentou valores elevados de biomassa 19,29 e 18,27 t.
Ao analisar as variáveis medidas pelo protocolo de plantas e sua variação ao longo do tempo, observamos que as áreas estudadas apresentam bom estado de conservação, que parece estar se mantendo. Porém, essa é uma impressão prematura, pois poucas UCs tiveram mais de uma amostragem ao longo do tempo. Assim, para que se tenha confiabilidade nessa informação são necessárias mais medidas das parcelas implantadas.
3.1.3 Relatório do sistema
O relatório do sistema é uma versão condensada do relatório 2, agrupando as UCs por bioma – sendo que a Amazônia pode ser apresentada em dois recortes: calha norte e calha sul. Avaliar se outros alvos estão usando outros recortes, para fazer semelhante.
Recortes:
Amazonia -calha norte
Amazonia – sul
Mata atlântica
Cerrado (checar se tem t1 p cerrado)
Para cada um dos recortes, serão apresentados 4 figuras:
Índice de Liocourt em T0 e T1 – gráfico tipo um boxplot, só que a representação gráfica é tipo uma bolha mais larga onde tem mais pontos, mais estreita onde tem menos. – violin plot – ver figura abaixo.
E outra figura mostrando quantas ucs de moveram em cada direção considerando o delta Liocourt – tipo um gráfico pirâmide – ver figura abaixo.
Biomassa em T0 e T1 – violin plot
Figura semelhante a b para biomassa.
3.1.3.1 Destaques
3.1.4 Contraste entre o Inventário Florestal Nacional e os dados do protocolo básico de plantas do componente florestal
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3.1.5 Discussão
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3.1.6 Recomendações
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3.2 Borboletas
Isabela Oliveira & Onildo João Marini Filho
Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade do Cerrado e Restauração Ecológica - CBC
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio
Parque Nacional de Brasília
Via Epia, BR-450, Km 8,5
70635-800 Brasília, DF
A variação da frequência relativa de ocorrência das tribos de borboletas frugívoras ao longo dos anos vem sendo utilizada como indicador de alteração ambiental para insetos. Esse indicador está relacionado tanto a alterações na vegetação ([4]; [5]) quanto àquelas menos perceptíveis, como a qualidade do ar (especialmente a presença de agrotóxicos) ([6], [7]) e do clima (temperatura, umidade e extremos climáticos) ([8]).
A análise que vem sendo utilizada considera a existência de um gradiente de associação entre as tribos de borboletas frugívoras e as formações florestais mais ou menos abertos. O conceito adotado pelo grupo de especialistas em borboletas é de que as 13 tribos estão relacionadas aos seguintes tipos de ambientes:
tribos típicas de ambientes florestais fechados/conservados: Brassolini, Haeterini e Morphini. Essas tribos diminuem consistentemente a abundância relativa em situações de perturbações da floresta;
tribos associadas a ambientes florestais alterados (que causam a abertura do dossel da floresta) e/ou favorecidas por perturbações: Ageroniini, Callicorini e Biblidini. Essas tribos aumentam consistentemente em abundância com perturbações na floresta;
tribos sem associação clara com ambientes florestais ou sem tendência definida: Preponini, Melanitini, Anaeini, Epicaliini, Epiphilini, Coeini e Satyrini. Essas tribos podem aumentar ou diminuir com perturbações da floresta, como abertura de clareiras ou eventuais alterações no dossel.
3.2.1 Estado da implementação
Para o período de 2014 a 2022 foram registradas 50 UCs federias, 134 EAs e 536 UAs (transecções com quatro armadilhas de atração por iscas) em operação, isto é, com amostragens do alvo borboletas frugívoras. Destas, uma UC do bioma Cerrado (Parna da Chapada dos Veadeiros) interrompeu a amostragens, pois as UAs estavam em ambientes savânicos e deverá voltar ao Monitora Florestal com amostragens de UAs em ambientes de mata de galeria. No caso do Parna de Brasília, ainda estão sendo realizadas as amostragens em ambiente savânico, mas que deverão ser considerados como do componente Campestre e Savânico. A planilha oficial validada com os dados brutos do alvo global Borboletas frugívoras - Componente Florestal, atualmente possui 82.349 registros (linhas).
Apenas duas UCs (Parna de Pacaás Novos e Rebio do Uatumã) coletaram os dados de 2022, mas não enviaram à COMOB a tempo de compor este relatório e o Parna de Brasília realizou a campanha de 2022 no ODK, com os dados inseridos no i-naturalist e em planilha google drive, portanto, não disponibilizados nesta planilha, sendo necessária a conversão para o formato .xls com a mesma configuração da planilha padronizada.
Das 50 UCs federais com coleta de dados de borboletas frugívoras, 33 (66%) já estão consolidadas, isto é, possuem pelo menos três unidades amostrais (transecções lineares) em operação. Três UCs retomaram as amostragens em 2022 (Esec Maracá, Esec Terra do Meio/Iriri e o Parna do Superagui), seis UCs (Parna do Juruena, Resex Chico Mendes, Parna da Bocaina, Parna da Serra dos Órgãos, Parna da Bodoquena e Rebio Guaribas) são consideradas como paradas ou interrompidas (mais de dois anos consecutivos sem amostragem) e apenas uma UC (Resex Renascer) parou a amostragem em 2022.
Em 2022, a amostragem de borboletas frugívoras foi realizada em 40 das 50 UCs que aderiram ao Programa Monitora, nos três biomas florestais (Tabela x). O ano de 2022 teve 21 UCs a mais do que 2021, e os números indicam aumento de 26% na quantidade de Estações Amostrais (EAs) implementadas (Figura 3.4). Todas as oito novas UCs que aderiram ao Monitora e iniciaram a amostragem de borboletas são amazônicas e apoiadas pelo Programa ARPA. As ? UCs apoiadas pelo ARPA são as que apresentam os melhores índices de implementação dos protocolos de borboletas, sendo que ?? delas (??%) já estão consolidadas, com pelo menos três UAs sendo amostradas.
O esforço amostral vem aumentando quase linearmente a uma taxa de 15-20%, ao se comparar com os anos subsequentes desde o início da implementação do Programa Monitora. O número de registros aumentou desproporcionalmente ao esforço em 2016, aparentemente devido a fatores climáticos. O número acumulado de registros de borboletas amostradas em nível de tribo (protocolo básico) totalizou ?? indivíduos (Figura 3.5).
Considerações sobre as amostragens na Mata Atlântica
O padrão de baixos números de indivíduos capturados vem sendo observado para todas as UCs da Serra do Mar e baixada litorânea (Parnas da Serra dos Órgãos, da Serra da Bocaina e do Superagui). Ainda não sabemos o motivo de o método não estar rendendo os mesmos resultados que são observados para outras UCs em outros ambientes. Esse padrão talvez esteja indicando que o período ideal de coleta tenha que ser deslocado para o final da estação seca, devido ao padrão bimodal de ocorrência de borboletas nesses ambientes ([5]; [9]) bem como em outras regiões montanhosas da Mata Atlântica.
Considerando isso, o grupo de análise de dados sugere que sejam exploradas outras possibilidades de desenho amostral para essa região que possam ajudar a solucionar o problema, gerando maiores volumes de dados. Sugerimos implementar experimentalmente uma coleta adicional no final da estação seca nas UCs onde a logística permitir. Essa sugestão pode ser estendida para matas paludosas e sazonalmente alagadas. Outra questão importante a ser considerada na escolha do local de instalação das unidades amostrais é evitar a face sul das montanhas para a colocação das estações amostrais nessas UCs. Pode-se também avaliar a possibilidade de amostrar no dossel das matas paludosas e sazonalmente alagadas, uma vez que a comunidade de sub-bosque de matas muito sombreadas e alagadas frequentemente se mostra muito incipiente ([10]; [11]).
3.2.2 Resultados
3.2.2.1 Amazônia
3.2.2.1.1 Síntese por região climática
O objetivo dessa seção é buscar análises integrativas que gerem padrões regionais ou geográficos que possam mostrar alterações na biodiversidade em escala ampla. Neste período inicial do Programa Monitora, serão estabelecidos os padrões normais para cada UC e, possivelmente, para cada região. A primeira tentativa que estamos adotando é a geração das proporções normais de abundância relativa de tribos por região climática conforme apresentado a seguir.
Considerando que ainda não temos dados populacionais para borboletas, uma vez que poucas UCs iniciaram a adoção do protocolo avançado, ainda estamos incapacitados de gerar tendências nesse nível. Uma dessas tendências desejadas seria o cálculo de um índice de abundância sobre esforço amostral para cada população monitorada – igual ou similar ao Índice Planeta Vivo ([12]). Para que isso seja possível, necessitamos de dados populacionais coletados em eventos anuais para cada uma das espécies em cada unidade de conservação ou estação amostral para anos consecutivos. Com esse tipo de dado, obteríamos tendências de aumento ou diminuição de populações em EAs, UCs, ou regiões climáticas ([13]).
Mesmo não tendo acesso a dados populacionais, estamos avaliando a possibilidade de uso de um índice no nível de tribos para servir de base para futuras aplicações ao Programa Monitora. Uma proposta será apresentada adiante.
As datas de amostragem propostas para borboletas frugívoras na Amazônia seguem a mesma lógica aplicada para as regiões Central e Sudeste do Brasil, onde temos alta abundância populacional e maior diversidade de espécies de borboletas frugívoras no final do período de chuvas intensas ([14]). A proposta de regiões amazônicas apresentada a seguir se baseia na caracterização climática associada ao padrão de chuvas em toda a Amazônia (Figura 3.7, reproduzida de [15]). A partir da determinação dos regimes de chuva regionais, propusemos polígonos que encopassem as UCs participantes do Programa Monitora de forma a podermos estabelecer tanto a melhor época para amostragem (Tabela x), quanto para poder analisar os dados, considerando o regime de chuva como uma característica regional importante para as borboletas frugívoras (Figura 3.7).
Tabela x. Localização das UCs em relação às regiões climáticas da Amazônia, incluindo o período sugerido de amostragens de borboletas indicado como o final das chuvas. As UCs com * situam-se entre duas ou mais regiões climáticas (q. = quinzena). As UCs marcadas com # ainda não iniciaram a amostragem de borboletas.
3.2.2.1.2 Representação de UCs nas regiões climáticas amazônicas
Sete UCs da região climática central amazônica realizaram amostragens de borboletas frugívoras: PARNA do Jaú, REBIO do Uatumã, RESEX Tapajós-Arapiuns, FLONA do Jamari, REBIO do Jaru, PARNA da Amazônia e ESEC da Terra do Meio. Essa é a região em que o Programa está mais consolidado e que possui o maior número de registros e de EAs em atividade. Devido a isso, será a única região climática analisada separadamente.
Apesar de termos uma boa representatividade de EAs nos últimos dois anos e do número considerável de borboletas amostradas, ainda podemos ver grandes variações entre as proporções de tribos entre os anos (Figura 3.8). Considerando as variações de proporção no número de indivíduos, podemos observar que, enquanto a tribo Brassolini apresentou tendência de diminuição entre 2014 e 2017, Epicaliini mostrou tendência oposta. Por outro lado, as tribos Satyrini e Coeini tiveram comportamento errático, variando amplamente entre anos nesse período. Satyrini é a tribo com maior contribuição para o total de indivíduos e uma das que sofrem maiores flutuações. As tribos Callicorini, Biblidini e Ageroniini, características de ambientes alterados, tiveram baixíssima representação no conjunto de UCs da região climática central amazônica. Considerando esse conjunto de variações nas proporções das tribos, a assinatura regional sofreu consideráveis alterações entre 2014 e 2018 (Figura 3.8).
Nenhuma UC coletou dados de borboletas frugívoras na região climática noroeste amazônica, região extremamente chuvosa e que praticamente não possui um período de estiagem, dificultando a definição do melhor período de amostragem de borboletas. Mesmo assim, seria importante tentar implementar a amostragem de borboletas em, pelo menos, três EAs da RESEX do Baixo Juruá, valendo-se dos parâmetros estabelecidos para a região climática norte amazônica (Tabela x). A identificação de, pelo menos, mais duas UCs nessa região para compor o Programa Monitora seria bastante benéfica para o conjunto de informações geradas em nível regional amazônico.
As outras quatro regiões climáticas amazônicas possuem dois ou três anos a menos de dados do que a região Central. Desta forma, as análises para essas regiões ainda são pouco substanciais e não apresentam tendências significativas a serem analisadas nesse curto espaço de tempo.
Três UCs estão coletando dados de borboletas frugívoras na região climática norte amazônica: ESEC Niquiá, ESEC de Maracá e PARNA Serra da Mocidade. A região iniciou as amostragens em 2017, portanto, é a que possui menos tempo para definição das frequências normais (Figura 3.9, A).
Quatro UCs da região climática leste amazônica estão coletando dados para borboletas frugívoras: PARNA do Cabo Orange, PARNA Montanhas do Tumucumaque, REBIO do Gurupi e RESEX Renascer. A região foi a que apresentou menores variações entre as proporções de tribos de 2016 a 2018. Essa é uma característica desejável para dados de monitoramento, pois menores variâncias aumentam o poder de discriminação entre amostras (Figura 3.10).
Sete UCs estão coletando dados para borboletas frugívoras na região climática sudoeste amazônico: PARNA da Serra do Divisor, PARNA Mapinguari, PARNA Serra da Cutia, RESEX do Alto Tarauacá, RESEX Barreiro das Antas, RESEX do Cazumbá-Iracema e RESEX do Rio Ouro Preto. A região possui um padrão de assinatura de tribos diferente das demais, com maiores proporções das tribos associadas a ambientes perturbados, especialmente Ageroniini. A grande variação na proporção de Satyrini e, em menor grau, Morphini e Brassolini, gerou assinaturas bastante diferentes entre anos consecutivos na região. Isso também pode ser um artefato estatístico relacionado ao aumento do número de estações amostrais e de borboletas amostradas no período, uma vez que estas variáveis aumentaram mais de seis vezes nesse período (Figura 3.11, C).
Apenas duas UCs da região climática sudeste amazônica estão coletando dados para borboletas frugívoras: PARNA do Juruena e REBIO do Tapirapé. Apesar da baixa representação, houve grande homogeneidade entre as áreas amostradas, o que gerou assinaturas bastante similares entre anos. Considerando que a metade sul da ESEC da Terra do Meio encontra-se na região, novas EAs que vierem a ser implementadas nessa porção da UC poderiam ser adicionadas a esse conjunto regional (Figura 3.12, D).
3.2.2.2 Cerrado e Mata Atlântica
3.2.2.3 Índice de abundância de tribos
A análise a seguir ainda está em fase de teste conceitual, tanto no modelo estatístico quanto no significado biológico. Esse tipo de cálculo geralmente é feito com dados populacionais (abundância de indivíduos), tendo seu cálculo e seu significado biológico já consagrados em diversos países (e.g., [16]). Assim, essa proposta visa criar um índice aplicável em nível de tribo e gerar análises para testar a sua viabilidade para o Programa Monitora. Caso adotado, esse índice pode servir de base para o monitoramento de flutuações de abundância diferentemente da abordagem das assinaturas, que é feita de forma qualitativa. Entendemos que o Programa Monitora necessita de abordagens mais quantitativas que possibilitem a definição de níveis de variação sobre os quais possam ser gerados alertas para atenção ou verificação pela gestão da UC.
Cálculo do índice
O índice tem como base o número acumulado de indivíduos de cada tribo para cada ano de uma dada área. Partindo da frequência absoluta de indivíduos por tribo por ano (n), fazemos inicialmente uma correção, somando um número muito pequeno a cada frequência absoluta, de forma a evitar a presença de zeros na matriz. Desta forma é obtida a frequência absoluta corrigida (f = n + 0,00001). Em seguida, é calculada a frequência corrigida pelo esforço amostral (número de armadilhas * dias de amostragem) (fe). Considerando que essa frequência mostra grandes variações, às vezes em duas ordens de grandeza, optamos por realizar uma transformação logarítmica para normalizar os dados. Assim, o próximo passo é calcular o log10 da fe. O índice é finalmente calculado, comparando-se as variações da fe em anos consecutivos, considerando-se sempre o índice igual a 1,0 para o primeiro ano em que aquela “população” foi registrada. A Tabela x mostra o produto desse cálculo. Note-se que o ano base para algumas tribos difere do ano base da maioria das outras.
Tabela x. Matriz resultante do cálculo das frequências absolutas divididas pelo esforço amostral, normalizadas (Log10) e transformadas em índice “populacional” para rastrear as variações a partir do ano em que uma “população” foi detectada (i = 1,000); i = índice de abundância a partir do ano base.
3.2.2.3.1 Análises regionais
Assim como foi feito na seção anterior, utilizaremos os mesmos conjuntos de dados regionais para explorar a viabilidade de uso do índice proposto. A região climática central foi analisada separadamente por ser a única que possui dados para cinco anos consecutivos. Apesar de tanto a composição de UCs quanto o esforço amostral terem se multiplicado cinco vezes nesse período (Tabela x), ainda assim este é o melhor conjunto de dados que possuímos para gerar tais análises.
Considerando que a visualização das 13 tribos em um mesmo gráfico impede a identificação do comportamento das curvas individualmente, optamos por apresentar dois gráficos para cada região com as tribos mais representativas de ambientes bem preservados e de ambientes mais perturbados. Assim, as variações dos índices para cada uma dessas tribos para a região climática central amazônica podem ser observadas a seguir (Figura 3.13, Figura 3.14). O ano base é considerado como o início da “população” monitorada e tem sempre o valor igual a 1,0. As mudanças subsequentes mostram variações baseadas nessa população inicial, sendo que variações acima da linha de base indicam crescimento populacional e, abaixo desta, diminuição. Quase todas as tribos apresentaram o mesmo padrão de variação nesse período. Houve uma pequena diminuição em 2015 e 2016, seguido de um grande aumento em 2017 e um decréscimo posterior em 2018. É interessante observar que a tribo que apresentou menor variação no período foi Ageroniini, seguida de Morphini.
Já para as demais regiões climáticas amazônicas, o esforço amostral e a quantidade de dados obtidos até 2018 foi inferior ao obtido para a região central e ainda foi insuficiente para observar alterações significativas. A região norte passou a gerar dados apenas a partir de 2017 e ainda possui poucas EAs para compor essa análise. As regiões leste e sudoeste já possuem um bom número de EAs e, em poucos anos, terão dados suficientes para análise. A região sudeste ainda está em processo de implementação e necessita de mais adesões para gerar um conjunto de dados adequado para análise. Essa região vem contabilizando os melhores retornos de captura por unidade de esforço (CPUE), tendo amostrado bem mais borboletas do que as outras regiões para uma dada quantidade de esforço (Tabela x), exceto a região central (Tabela x).
A abundância das tribos variou sem uma tendência predominante durante o período de 2016 a 2018 nas regiões climáticas norte, leste, sudoeste e sudeste amazônicas. Algumas tribos apresentaram picos de abundância para cima ou para baixo durante esses primeiros anos, como Callicorini, na região sudoeste, em 2017, e Biblidini, nas regiões leste e sudeste, em 2017. Porém, a maioria das tribos encontravam-se, em 2018, próximas do valor original (1,0) (Figura x). Essas tribos apresentaram tamanhos populacionais muito pequenos em quase todas as UCs durante esse período.
Consequentemente, qualquer variação na quantidade de borboletas capturadas causou grandes variações no índice de abundância. Portanto, concluímos que o uso desse índice para “populações” pequenas não é aconselhável. Neste caso, o tamanho amostral pode ser a solução para o problema, pois traria uma quantidade maior de dados e, supostamente, menores variações.
Tabela x. Soma do número de indivíduos e esforço amostral (nº de EAs x nº de armadilhas x 12 dias de amostragem) no conjunto de sete UCs da região climática central amazônica. Esforço amostral em armadilhas x dia.
3.2.2.4 Destaques
Efeito da seca extrema de 2015 nas UCs da região Central Amazônica
Efeito da queda dos tabocais na RESEX Cazumbá-Iracema e Riozinho da Liberdade e Serra do Divisor (controle)
3.2.3 Discussão
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3.2.4 Recomendações
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3.3 Mamíferos e aves
Arlindo Gomes Filho1, Elildo Alves Ribeiro de Carvalho Junior2, Gerson Buss3, Marcelo Lima Reis4, Marcos de Sousa Fialho1, Rafael Suertegaray Rossato3, Ricardo Sampaio3, Richard Hatakeyama5, Thiago Orsi Laranjeiras6
Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres – CEMAVE
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio
BR-230 Km 10
Floresta Nacional da Restinga de Cabedelo
58108-012 Cabedelo, PBCentro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros – CENAP
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio
Estrada Municipal Hisaichi Takebayashi, 8600 - Bairro da Usina 12952-011 Atibaia, SPCentro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros – CPB
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio
BR-230 Km 10
Floresta Nacional da Restinga de Cabedelo
58108-012 Cabedelo, PBCoordenação de Monitoramento da Biodiversidade - COMOB
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio
Complexo Administrativo EQSW 103/104 s/n
70670-350 Brasília, DFNúcleo de Gestão Integrada - NGI ICMBio Tefé
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio
Estr. do Aeroporto, 725 - Centro
69550-101 Tefé, AMParque Nacional do Viruá
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio
69360-000 Caracaraí, RR
Mamíferos e aves florestais de médio e grande porte são animais que sofrem muita pressão com a caça e, portanto, são considerados indicadores de impactos de origem antrópica. A defaunação das florestas acarreta a chamada “síndrome da floresta vazia” ([17]). A redução das populações animais além de ser uma diminuição direta da biodiversidade, também acomete a própria estrutura e manutenção das florestas, ao perder polinizadores, dispersores de sementes e outros processos ecológicos importantes. Daí a necessidade de realizar o monitoramento desses dois grupos no âmbito do Programa Monitora.
A taxonomia utilizada para os mamíferos e aves foi a mesma adotada no processo de avaliação do estado de conservação das espécies da fauna brasileira ([18]).
3.3.1 Estado da implementação
Para o período de 2014 a 2022 foram registradas 52 UCs federais e 138 UAs (transecções lineares) em operação, isto é, com amostragens dos alvos mamíferos e aves com o método do protocolo básico (censo diurno em transecção linear), nos biomas Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica.
Destas 52 UCs federais com coleta de dados de mamíferos e aves, 34 (67%) já estão consolidadas, isto é, possuem pelo menos três unidades amostrais (transecções lineares) em operação. Seis UCs retomaram as amostragens em 2022, sete UCs são consideradas como paradas ou interrompidas (mais de dois anos consecutivos sem amostragem) e duas UCs não fizeram amostragens de 2022 (Figura 3.28).
O esforço de amostragem nos nove anos considerados neste relatório correspondeu a 5.356 dias de campo (transecção/dia) e 25.602,55 km percorridos (Figura 3.26), resultando em 22.985 registros de mamíferos de médio e grande porte e de 12.995 aves terrestres cinegéticas (Figura 3.27). No total, foram identificados ?? táxons de Mamíferos e 38 de Aves entre gêneros e espécies (Apêndice C), ?? e 6 dos quais estão ameaçados de extinção, respectivamente. O esforço por UC, ordenadas por bioma (Mata Atlântica, Cerrado e Amazônia), é apresentado na Figura 3.28.
3.3.2 Resultados
3.3.2.1 Visão geral
A grande maioria dos registros de mamíferos (??%) corresponde a primatas e roedores (Figura 3.29). Esse resultado se deve, em parte, ao fato de a detecção do método ser mais eficiente para o registro desses grupos. Espécies noturnas e esquivas, como a maioria dos carnívoros, são dificilmente registradas.
Em relação aos mamíferos, primatas foram o grupo preponderante. As cinco famílias foram registradas e apenas o gênero Callibella sp. não foi observado. Setenta espécies diferentes foram registradas, o que corresponde a 84,7% do total de primatas brasileiros. Destas, 18 espécies são consideradas ameaçadas de extinção e duas possuem deficiência de dados (DD) para avaliação.
Com relação as aves, até o momento, 38 táxons, entre gêneros e espécies, foram registrados (Apêndice D). Durante as amostragens busca-se a identificação no nível específico dos indivíduos observados, contudo, em algumas unidades ocorrem em simpatria duas, três ou mais espécies de um mesmo gênero, e, na maioria das vezes, essas espécies são semelhantes entre si. Isso faz com que, por segurança, a validação desses registros seja realizada no nível de gênero. São situações que podem ocorrer com os gêneros Nothura (codornas), Penelope (jacus), Tinamus (macucos) e Crypturellus (inhambus), todos estes gêneros com um ou mais táxons ameaçados de extinção (Apêndice D), conforme a Portaria MMA nº 148/22.
A grande maioria dos registros de Aves está quase igualmente distribuída entre Galliformes e Tinamídeos. Esse resultado se deve ao fato de a detecção do método ser eficiente para o registro desses grupos, mas também por Gruiformes (jacamins) ocorrerem apenas no bioma Amazônico, e nunca com mais de uma espécie por localidade, enquanto que Cariamiformes são típicos de ambientes abertos (fig-registros-ordem).
A variação entre as proporções de registros registadas para o Cerrado e a Mata Atlântica ao longo dos nove anos de amostragem deve-se ao pequeno número de unidades de conservação aderidas ao Programa Monitora, a inconstância nas amostragens e ao pequeno esforço amostral, seja por unidade de conservação, seja por bioma (Figura 3.29).
3.3.2.1.1 Abundância relativa de mamíferos e aves por biomas
Em termos de abundância total de mamíferos e aves, o bioma Amazônico se destaca em relação aos outros dois biomas tratados. Enquanto que Cerrado e Mata Atlântica não parecem divergir de forma relevante (Figura 3.30). O valor médio da abundância relativa de mamíferos e aves no bioma Amazônia variou de ?? em 20?? a ?? avistamentos por 10 km percorridos em 20??, para mamíferos e ?? em 20?? a ?? em 20?? para aves.
O valor médio da abundância relativa de mamíferos e aves no bioma Amazônia variou de ?? em 20?? a ?? avistamentos por 10 km em 20??, para mamíferos e de ?? em 20?? a ?? avistamentos por 10 km em 20??, para aves. Quando se observa como essa abundância total de mamíferos e aves variou entre os anos para os biomas (Figura 3.31), verificamos que para a Amazônia os primeiros anos apresentam uma maior dispersão dos resultados obtidos explicada pelo proporcionalmente reduzido de UCs participantes e esforço amostral, e um leve decréscimo nas abundâncias totais entre 2021 e 2022. Para a Mata Atlântica os resultados não são consistentes devido a descontinuidade de amostragem e variação no esforço entre os anos, já para o Cerrado, o padrão observado se justifica…xxxxxxxxx
3.3.2.1.1.1 Taxa de encontro de mamíferos e aves ao longo do tempo - geral e por bioma - 2014 a 2022
3.3.2.1.1.2 Abundância de mamíferos e aves nas unidades de conservação
Entre as UCs com maiores taxas totais para mamíferos encontramos a Rebio do Uatumã, a Resex Verde para Sempre e a Esec da Terra do Meio (Figura 3.32), estas três UCs também estão entre as quatro UCs com maiores taxas totais para aves (Figura 3.33). Contudo, a posição da Resex Verde para Sempre deve ser tomada com cautela visto que representa um único ano de amostragem (2022). Uma visão espacial da taxa de avistamento média geral, considerando conjuntamente aves e mamíferos, é apresentada na figura Figura 3.34.